Porquê...

Simplesmente, já farto de reenviar aqueles e-mails que "às vezes até têm piada !", apeteceu-me e criei este blog onde vou postar esses ditos e-mails que por minha auto-recriação e soberana vontade, penso que serão dignos de tal ! Nota: Depois de muitas e diversas tentativas frustradas para conseguir que o raio do alojamento de blog's me aceitasse algum nome, eis que me lembrei: " algum nome há-de dar !" e tentando este mesmo, para minha surpresa, até que enfim !

sexta-feira, março 09, 2007

Novo cartão de sócio do FCP...


1 comentário:

Anónimo disse...

Posfácio

Maria Luiza Silveira Teles
( Apresentação do livro de Reinilson dos Anjos Câmara

"Rosas do Meu Jardim" é antes de mais nada, um encontro profundo com a alma sensível, inquieta e pura de Reinilson. É o contato com as preocupações universais que sempre levaram o Homem a filosofar e a questionar-se. É a emoção que jorra, em seu estado de pureza absoluta, como a fonte em sua nascente, e que flui em meandros sutis e cantantes, refrigerando-nos o espírito e fazendo com que a fé e a esperança renasçam dentro de nós.

Sim, pois que sempre teremos motivos para crer e esperar, enquanto existirem os poetas; enquanto existirem criaturas que olhem a vida com os olhos de Reinilson; enquanto existirem aqueles que são capazes de sonhar e que não temem a loucura de seus próprios sonhos, tão em discrepância com o profundo desatino da vida competitiva, pragmática, materialista e sufocante dos demais.

Em sua obra, Reinilson mostra que não só é capaz de sonhar, amar e versejar, mas que também é capaz de engajar-se na triste realidade deste mundo hostil; não para compactuar com ele, mas pronto para fazer história, no sentido da luta e do trabalho pela renovação, pela Justiça e do Amor.

Como todas as almas realmente grandes, desde a apresentação de sua obra, ele demontra humildade, e em nenhum momento, tem a pretensão de fazer coisa alguma que seja extraordinária, fora do comum, inédita. Não; ele simplesmente dá-nos a
suprema dádiva de poder compartilhar de seu extraordinário mundo interior, cheio de beleza, de ternura, de fé. Um mundo feito muito mais de recolhimento e de silêncio, mas cuja sonoridade, como os delicados, incisivos, melodiosos e belos acordes de uma sinfonia, retumbam em nossos corações

Em sua poesia, Reinilson trabalha com a palavra e o ritmo, em versos livres, como só livre poderia deixar fluir sua emoção, na própria necessidade da liberdade para a descoberta de novos caminhos no versejar e no caminhar.

Percebemos em seus poemas a repetição de palavras, propositalmente, para dar mais força ao enunciado, como em "Amor Distante".
Triste,
esta carta sem um pingo de verdade
Triste,
estas belas palavras sem sentido.
Triste,
esta distância
que nos separa

Também presente a constância de rimas que enriquecem bastante a sonoridade dos poemas, como podemos observar em "Menino Mendigo":
Lá vem o menino
descalço e maltrapido
um triste mendigo
amarelo e subnutrido.
Sem lar, sem abrigo,
raramente come
quase sempre passa fome.

Percebe-se aqui, também, a criação de neologismos, maneiras próprias de dizer as coisas ao modo seu e que possam expressar todo o grito de sua alma, como na palavra MAL TRAPIDO( fusão de maltrapilho e despido), que mostra que cheio de trapos o indivíduo não está senão despido, nu.

O envolvimento constante com os problemas atuais do mundo e dos homens pode ser percebido em poemas com este que acabamos de ver, e em outros, como "Vida ingrata"e "Falta Pão".
Falta pão para o homem do campo,
Falta pão para o homem da cidade
Entre apartamentos, casas e casebres
entre desespero, a fome mata

O poeta mostra-se, às vezes, decepcionado, impotente e apático, como é comum acontecer, vez por outra, com todas as pessoas sensíveis. E-lo a dizer:
A vida é ingrata
Fique parado no seu canto
Não faça nada.

Mas, sabe também ser otimista, alegre, esperançoso, fraterno, como bem demonstra neste trecho de seu poema "Ë Bom"...
É bom ver a tarde cair,
é bom o crepúsculo sentir,
aguardar o porvir
falar com alguém
que quer me ouvir.
Olhar aquela estrela que começa a luzir...
É bom perceber
que há pessoas
a amar e dividir,
as delícias e as tristezas,
sem fingir,
e com tamanha sinceridade
repartir,
as afinidades, o bem-querer,
e dormir... e sonhar...

É bom ser sincero
e não mentir.
Aguardar o futuro
e o presente procurar conduzir
com doçura,
oferecendo a quem pedir
uma palavra, uma ajuda...

É bom assistir
os enfermos,
os velhos,
as crianças,
e dirigir

a todos enfim,
sem ódio, sem vingança,
e assumir
uma vida justificável,
e repetir
que só o amor constrói...

A obra de Reinilson é constituída de 25 poemas, escritos já a alguns anos. Acreditamos que, de lá para cá, o poeta, por muito já ter caminhado, deverá ter amadurecido, fato que cria em nós uma expectativa com relação a sua obra futura que, decerto, deverá ser bem mais rica, profunda e trabalhada

"Rosas do Meu Jardim" não é, decerto, um livro sem defeitos, mas exatamente por ser o primeiro que o autor traz a lume, tem grande mérito e enriquece bastante o
acervo da literatura local, mostrando, mais uma vez, o sentimentalismo e o pendor artístico do povo da terra.

Queremos congratular-nos com o autor e sua famíllia, presos, certamente de uma emoção justa por este momento inesquecível. E queremos, ainda, agradecer a Reinilson por nos ter dado a extraordinária oportunidade de abrir-nos as portas de sua alma grandiosa, simples e tímida, que tanto nos tocou e encantou, através das belas rosas de seu jardim...

Maria Luiza Silveira Teles
Academia Monteclarense de Letras